domingo, 2 de outubro de 2011

Esgoto da Trifil mata animais e causa prejuízos

Em Itabuna principalmente na rua F, no bairro Nova Itabuna. Água cristalina, pescadores retirando do riacho parte do sustento da família, meninos e meninos se banhando nos finais de tarde, animais encontrados com facilidade na beira do riacho e criação de aves. moradores
      Esse era o cenário, na década de 90, nos sítios que são vizinhos à Itabuna Têxtil Ltda (Trifil). Segundo os moradores, foi exatamente a implantação da fábrica da Trifil no bairro Campo Formoso, vizinho ao Nova Itabuna, no final da década de 90, que iniciou uma série de prejuízos.
      Proprietários dos sítios reclamam que a empresa, sem autorização, fez intervenções no riacho e passou a jogar o esgoto sem tratamento nele, como já denunciado por A Região.
      Os moradores acusam a empresa de não fazer o tratamento da água usada na fábrica e afirmam que os prejuízos começaram na construção. Muitas casas estão com rachaduras nas paredes, que teriam sido causadas pela dinamite usada no desvio do riacho.
      “Só minutos antes das explosões os responsáveis pelo desvio do riacho mandavam que saíssemos”, contra Adalgisa Araújo dos Santos. A idosa conta que mora no local há 46 anos e perdeu 300 metros de seu sítio com as intervenções promovidas pela Trifil.
      Hoje ela paga IPTU para a prefeitura como se fosse proprietária de uma área de 1.200 metros quadrados. Mas esse não é o seu único prejuízo. As paredes de casa estão cheias de rachaduras.
      Terra perdida
      A poucos metros da casa de dona Adalgisa fica o sítio de João Dias Magalhães, que se queixa da perda da tranquilidade e 600 metros de área com o desvio do riacho pela empresa.
      “Fiquei algum tempo pensando que não valeria a pena essa briga com uma empresa tão rica, mas acabei convencido de que morrer calado seria pior. Decidir lutar pelo que é meu”.
      Não faltam histórias tristes de moradores dos sítios vizinhos à fábrica. Genilda Oliveira Santos diz que, além de perder parte do sítio, viu suas galinhas e gansos morrerem por causa da água poluída. “Em alguns períodos o odor é tão forte que meu marido sente dor de cabeça, febre e faz vomito”.
      O marido de Genilda é portador de deficiência e é no verão que ele mais sofre, “porque a fedentina fica insuportável. Ele fica de cama e às vezes temos que correr para o médico. Esse riacho virou um grande drama nas nossas vidas”. Ela ainda teve 120 metros de terreno invadidos pela Trifil.
      Genilda afirma que o drama familiar se estende a uma irmã que é proprietária de um sítio ao lado do seu. “Ela perdeu um bom pedaço do sítio. Mas a preocupação maior são meus sobrinhos, que quase sempre estão doentes. Todos nós pagamos muito caro com essa fábrica como vizinha”.
      Inundações
      Não são só os moradores dos sítios se queixando de prejuízos. Moradora do bairro Nova Itabuna há mais de 15 anos, a comerciária Ana Vilma dos Santos ainda lamenta os prejuízos que teve no início do ano. A água suja transbordou e invadiu sua casa, que fica em uma área mais baixa. esgoto trifil
      A cinco metros de Vilma, a aposentada Isabel Nascimento foi salva por uma equipe do Corpo de Bombeiros. Já o drama do morador Juvêncio Quinto dos Santos foi ter parte do barraco arrastado pela água do riacho.
      “A enchente ocorreu porque a prefeitura, ao invés de ponte, colocou manilhas no riacho”.
      Elas ficaram entupidas com a grande quantidade de lixo e a água invadiu dezenas de casas e barracos. “Nunca tinha vivido uma situação tão desesperadora. Fiquei no prejuízo, mas a destruição foi ainda maior na casa da minha filha. Ela perdeu tudo. Não tivemos a quem recorrer”, conta Isabel.
      Juvêncio Quinto fica emocionado quando lembra que um dia pescou no riacho de água cristalina e lamenta de, nos últimos anos, ter visto animais morrendo minutos depois de beber a água. “Eu mesmo já perdi bezerros”.
      Antônio Carlos Soares dos Santos afirma que é muito triste saber que os seus filhos estão entre os que mais sofrem por causa do mau cheiro dos dejetos liberados pela Trifil. “Já ficaram internados com febre tifoide. Quase sempre eles ficam doentes”.
      Segundo os moradores, diversas queixas foram encaminhadas para os órgãos de fiscalização municipal, estadual e federal, mas nada foi feito. Eles também já recorreram ao Ministério Público Estadual (MPE) e nada mudou.
      Uma das denúncias foi feita no dia 28 de agosto de 2008 ao Ibama, em Ilhéus, recebida pela técnica administrativo Joselita Vilas Boas Maia. Na primeira foto, Magalhães, Quinto e Adalgisa. Na segunda, as manilhas.

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